quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Blogagem Coletiva


 Me casei aos 22 anos, 13 meses depois, 11/11/1984 dava a luz a um lindo menino, Bruno, chamava atenção de todos no berçário com seus 4.550kg e 54 cm, já nasceu criado, como todos diziam.Foi uma criança linda e muito simpática, precisava tomar cuidado pois ia com qualquer pessoa que o chamasse.
Queríamos outro filho e quando Bruno estava com 3 anos engravidei novamente. Conforme minha barriga ia crescendo eu pensava -" Meu Deus será que vou conseguir amar esse bebe tanto quanto amo o Bruno". Meu amor pelo meu filho era tão intenso, imensurável, que eu achava ser impossível gostar de outro, mas Deus é perfeito, e sábio, quando nasceu o Arthur, percebi que poderia sim ama-lo tanto quanto amava o Bruno, não é um amor divido, é um amor único.
Procurei ser sempre uma mãe justa, amiga e companheira mas deixando sempre claro minha posição de Mãe. Eles sabiam que  poderiam contar comigo para o que precisassem.


                                                                 
E eu sonhava com o momento que eles me dariam filhas, porque sempre pedi a Deus que me desse duas filhas e  claro os netos.
Mas o destino não pensava dessa maneira e ia me dar uma grande dor, a maior da minha vida,será que para testar o meu amor? A minha fé?
Foi quando no dia 13/10/2002 um trágico acidente levou meu filho Bruno, que dali a 28 dias faria 18 anos, um jovem lindo que já estava com 1,84 de altura, cursando o ultimo ano do 2 º grau.


Esse sem dúvida foi o pior dia da minha vida, a dor é tão grande que chega a doer no físico...
Durante algum tempo dormíamos os três juntinhos no mesmo quarto, todos os dias arrumava uma caminha no chão do lado da minha  para que o Arthur ficasse juntinho de nós, como se assim eu pudesse protegê-lo.
Os dias foram se arrastando ... 11/11/2002 seu aniversário tão esperado de 18 anos e eu não tinha o que comemorar ...
Em Novembro também tinha a festa de formatura dele e do Arthur  que estava terminando o primeiro grau ... tenho que ir, é a festa do Arthur, tenho que dar força pra ele ... tenho que mostrar o quanto ele é importante pra mim, tenho que mostrar a ele meu amor. A comissão de formatura me liga e pergunta se não quero pegar o canudo do Bruno, nem pensei - vou! Ele merecia isso , sempre cobrei muito e ele sempre foi um ótimo aluno, uma semana antes do acidente fui buscá-lo na escola e ele veio todo orgulhoso  dizendo que a professora tinha dito a ele que quando tivesse um filho gostaria que fosse como ele ! Eu também fiquei orgulhosa !
Hoje quando me lembro daquele momento e sinceramente não sei como consegui, só consigo pensar que foi meu imenso  AMOR que me deu forças e tinha que estar ali por amor também ao Arthur.(tenho que dar uma pausa, a emoção me pegou ...)

                     Nossa ultima foto juntos, 6 meses antes, era meu aniversário

Na época do acidente o Arthur estava com 14 anos, o irmão era para ele seu porto seguro, seu herói, não consigo imaginar sua dor ... sendo assim eu tinha que lhe dar muito amor não para que ele esquecesse porque sei que é impossível mas para que ele soubesse que também era amado. Não tinha certeza que ele estivesse entendendo isso através de minhas atitudes, então um dia resolvi colocar isso em palavras e disse para ele - " Filho eu te amo muito, a mãe está muito triste, sofrendo mesmo, pelo que aconteceu com seu irmão, mas não pense que estaria diferente se fosse com você, porque você é tão importante pra mim quanto seu irmão e pode ter certeza que o amor que sinto por vocês fará com  que eu lute para continuar e manter nossa família sempre unida, metade de mim se foi mas a metade que ficou vai ser forte o suficiente para não perder essa luta". Tenho certeza que ele entendeu e terminamos essa conversa chorando e abraçados ...
Os dias... semanas ... meses e os anos continuavam a se arrastar ... minha mãe que na época do acidente tinha acabado de sair do hospital , tinha ficado internada 28 dias, sendo 4 de UTI, saiu na segunda feira e o acidente foi no sábado, nunca mais se recuperou e não se conformava, ela morava comigo e me ajudou muito com a crianças, e lá ia eu buscar forças para cuidar dela também, sei que fiz meu melhor com muito amor, mas 4 anos e 6 meses após a partida do Bruno ela se foi também ... e ai se formou mais um grande buraco ... Durante toda minha vida sempre tive minha mãe ao meu lado, quando me casei ela ficou com meu irmão, seis meses depois ele se casou e ela veio morar comigo, então nos meus 46 anos de vida (na época, hoje tenho 50) só não morei com ela 6 meses, foi um vazio enorme...(pausa ...)

                                                                   Saudade Eterna

Uma grande parte dos casais que passam pela perda de um filho, segundo uma pesquisa publicada na Revista Marie Claire 80%, se separam ,felizmente fazemos parte da minoria  e ao contrário nos unimos mais, no próximo dia 01/10 faremos 28 anos de casados .... posso afirmar que fomos unidos pelo verdadeiro AMOR, que supera, que batalha, que tem fé, que acredita e confia ...

    Trocamos nossa aliança de 25 anos em uma Igrejinha em Fernando de Noronha, nós com as bençãos de Deus Pai.

Eu sempre achei que tivesse fé, mas só pude perceber seu tamanho quando fui realmente colocad a prova ... agradeço a Deus todos os dias por Ele me fazer aceitar os fatos sem revolta, sem  - Por que eu ? ou Por que comigo?, sei que aquilo que tenho que passar ninguém passará por mim...
Tem dias que a tristeza me pega, me permito ficar triste, até chorar se der vontade, as lágrimas tem o poder de lavar a alma, mas não me permito ficar assim por muito tempo, até mesmo pelos meus filhos, o que está aqui vai se achar impotente e o que está longe (dos meus olhos) pode se achar culpado, não, não quero isso.
E é o amor que tenho por eles, por meu marido e por  mim mesma que me faz reagir ...
A dor pela separação de um filho é imensa, não acredito que tenha algo que possa se comparar a ela, não é o natural da vida ... mas sempre digo que se Deus fizesse uma proposta pra mim de voltar no tempo e não passar por essa dor , mas para isso eu não seria a mãe do Bruno, por mais que essa dor me consuma, por mais lágrimas que eu derrame eu responderia que não, eu quero  ser a mãe do Bruno porque nada paga os quase 18 anos que tive o privilégio de ter sua companhia, ver seus primeiros passos, suas primeiras palavras, seus tombos, cuidar dos machucados, secar suas lágrimas, dar algumas broncas quando necessário e aprender, aprender muito .... eu não fui eu SOU a mãe do Bruno.
Quando alguém me pergunta - quantos filhos você tem? Respondo - tenho dois filhos , um é minha estrela no céu e o o outro minha luz na terra !!!
E foi assim que quando vi o tema dessa blogagem coletiva pensei - " vou participar a final eu tenho amor... por isso continuo viva !!! Com certeza há muito amor em mim !!! "

Sempre unidos

Nossa paixão e o grande responsável pela volta  da alegria em nossa casa


Este post participa da blogagem coletiva em comemoração ao aniversário do
blog da Elaine Gaspareto.

Te agradeço Elaine com todo meu amor por essa oportunidade, esse foi sem dúvida um momento muito especial !!
Feliz Aniversário!

 

27 comentários:

Neli Rodrigues disse...

Márcia, tô aqui chorando feito uma louca.
Eu já tinha lido no seu perfil que um dos seus filhos já não estava mais com vc, mas lendo todo sua história fiquei mto emocionada, até porque tenho grandes e inúmeras perdas na minha vida, mas não de um filho, que como vc disse, não tem dor que se compara.
Pelas perdas que eu já tive e que doem muito eu sempre peço a Deus que eu vá antes dos meus filhos, pois não sei se teria estrutura para suporta mais essa dor.
Muito corajoso seu relato, sendo também uma linda homenagem ao Bruno, espero que ele tenha gostado desta sua postagem.
Bjs♥
Se vc quiser saber das minhas perdas leia
http://www.caprichosbyneli.com/2010/05/muito-obrigada-por-tudo.html

Pepa disse...

Oi Marcia, é a Vi,o importante na nossa caminhada nessa terra é ter Deus conosco, pois sem ele jamais suportaríamos certas dores por qual passamos.
Sua historia é linda.
Muitos beijos

Elaine disse...

Oi Márcia.
Lí uma vez uma mansagem de Chico Xavier que dizia mais ou menos assim, às mães que perdem um filho: que elas carregam uma cruz de ouro no coração como Maria mãe de Jesus.
Sempre cito esta mensagem para alguém que passou por essa dor.(desculpe se já lhe disse isso e não me lembro)
Creio ser um consolo estar situada ao lado da doce Mãe Maria, mesmo na dor.
Márcia, sua força, dedicação à família, seu amor é um exemplo, e esta blogagem coletiva foi muito generosa para dar exemplo e fortalecer áqueles que precisem. Um beijo e abraço no seu coração. elaine.

ARTES DE JULIA disse...

Olá Marcia!

Obrigada mais uma vez pela visita !!!
E .. fique tranquila que recebi sim sua postagem pelo blog mas, confesso que adoei o carinho em receber seu email!

Agora devo confessar que meus olhos encheram de lágrimas com sua postagem .. menina que ensinamento divino que Deus lhe deu. Parabéns pela força !!!

Saiba que tens em mim uma amiga online e pode contar comigo.

Bjs e fique com Deus

Andreia Lica disse...

Estou participando da blogagem e lendo todos os posts que tbm participam, me emocionei muito com seu post. Que Deus continue te dando muito amor e serenidade.

BJão

Beth Salvia disse...

Marcia também amo tanto o meu Cauim quem sem ele tenho certeza que só seria essa forte mulher que vc é porque também amo a Nayana, porisso deus nos deu dois lindos filhos, para sermos fortes pra amar sempre também o que ficou na terra, bjs e se eu ja te admirava de longe, agora sou sua fãnzona, bjs e fica com deus lindo o Artur

Regina disse...

Oi Marcia, tudo bem?

Marcia eu nem tenho palavras, para descrever o que senti, lendo a sua história, mesmo já conhecendo parte dela.

Tenha certeza que com essa força, que Deus lhe deu e sempre dará, eu
aprendi muita coisa com voce, nesse pouco tempo de nossa amizade.

um beijo carinhoso

Regina Célia

Veronica Kraemer disse...

Má querida, eu nem sei o que escrever, chorei tantoaqui, e fico pensando que voc~e é uma mulher guerreira e forte, e que somente o amor e a fé te mantiveram em pé, nos momentos em que achastes que não iria conseguir...
Te admiro demais, e agradeço por sua amizade sincera.
Que Deus a conforte.
Pode ter certeza que um dia encontrarás seu filho tão querido, e entenderás que nada é por acaso, são lições que temos que aprender, muitas vezes de uma forma dura e triste...
Beijos
Vero

ValLindinha disse...

Num mundo justo mães não perderiam seus filhos. Para mim seria impossível manter a fé, se ainda resta alguma.....

Baú da Dadá disse...

Márcia,
estou chorando, muito emocionada com seu post. Coincidentemente também tenho um filho nascido aos 11/11, só que de 1991. Hoje tem 19 anos e é uma alegria só! A casa está sempre cheia de barulho porque ele toca violão e saxofone. Só de imaginar a dor que você relatou, comecei a chorar! É, querida, só Deus para nos dar forças para suportar as perdas!! E temos de nos conscientizar de que Tudo pertence a Ele! Lindo o seu relato! Nos enche de esperança e admiração, pois uma pessoa que passou por tanto sofrimento ser tão alegre, forte e dar testemunho de fé e amor é uma prova de que Deus nunca nos dá uma cruz mais pesada do que podemos carregar e de que o amor da família é a materialização do amor que Ele tem por nós.
Parabéns por ser quem você é! Não te conheço pessoalmente, mas já gosto de você e te admiro do fundo do meu coração!
Deus te abençoe, guerreira!
Beijos e excelente final de semana.
Renata

Ana Paula Santiago (inventandocasa.blogspot.com) disse...

"Quando alguém me pergunta - quantos filhos você tem? Respondo - tenho dois filhos , um é minha estrela no céu e o o outro minha luz na terra !!!"
Nossa, Marcia, que post.
Tô com a voz embargada, os olhos inssaciáveis em lágrimas. Essa dor não existe maior mesmo.
Não posso imaginá-la. Não quero.
Já quase perdi meu filho e é aterrorizante.
Linda a tua atitude de viver, de ter essa conversa com seu filho. Linda tua decisão de viver, de viver por ele, dde ser a melhor mãe possível, mesmo carregando esta dor imensa, ter nos olhos o brilho do amor e carinho para a teu filho.
O Bruno deve se orgulhar muito da família.

Um bj.

Ozenilda Amorim disse...

VAi parecer bobagem, mas não tive coragem de falar do amor pelo meu gato, que morreu há pouco mais de 2 meses. Tive vontade, mas não consegui, fiquei intalada, não saiu nada, não tive coragem, pois ele era meu companheiro há quase dois anos. Apareceu na minha vida num momento de muita solidão e ocupou muito espaço. Vendo o seu post, pensei como seria se tivesse passado por tudo isso que você passou. Adimiro sua coragem e sua fé. Parabéns!
;)

Telma Maciel disse...

Marcia, acho q não tem alguém que passa por esse post sem lágrimas nos rosto (não só nos olhos). Não sei o tamanho dessa dor, mas perdi tbm dois primos ainda tão jovens... um deles foi ano passado, aos 18. Dói, dói, dói. Mas o amor é q salva quem passa por isso, né? Quando vc sente amor pela família, o amor pela vida volta.
mas não imagino o tamanho dessa dor. Não mesmo...
Um beijo

josianaleite.leite@gmail.com disse...

Querida que Deus te carregue nos braços e que cada dia seja um dia de renovo, não tem palavras para consolar....... obrigada por compartilhar a sua história.
grande e carinhoso abraço.
Josiana leite

reginarbergamo disse...

Marcia!!!!!!!! sem palavras.....
és realmente uma guerreira!!!!!
Feliz por fazer parte, desta linda família.
Bjus

Orvalho do Céu disse...

Minha flor
Uma família unida pelo amor é indestrutível...
Há amor em mim
Há amor em ti
Há amor em nós
Bjm de paz

c r i s disse...

Ter um filho tirado da nossa convivência é uma dor enorme, que nem dá pra medir, nem exprimir, parece que as palavras nunca serão suficientes, não é? Tua força me inspirou hoje...obrigada...Bjo:)

Alessandra disse...

Nossa!Sua história é emocionante!!Me deu nó na garganta!E essa foto do pássaro foi muito bem escolhida!Parabéns!
Também estou participando e vou aproveitar para seguir seu blog.Bjo Bjo

http://eutenhopressaemuitacoisameinteressa.blogspot.com/

Celena disse...

Oi querida, me emocionei com sua história...Deus te abençoe sempre...bjoca.

Bianca disse...

Olá Marcia!
Eu também participei da blogagem coletiva e passei aqui para te conhecer.
Seu post me fez refletir muito. Tb passei por algumas perdas nos últimos 4 anos. Mas não consigo imaginar como se sobrevive a uma dor como a sua. Com certeza o amor pelo seu segundo filho foi a mola para que continuasse. Obrigada por compartilhar sua história conosco. Parabéns pelos filhos lindos.
E sua Nick é lindaaaa! Eu tb tenho uma york, a Lunna, que fez 1 ano dia 25/09. Ela concerteza hj é a alegria e o xodó da minha casa.
Beijos

Bianca disse...

OBS não sei pq com certeza saiu junto no coment anterior. Eu concertei 3x e foi errado, hahaha.

Ana Kroetz disse...

A vida é uma escola, onde aprendemos que o amor e a fé são as ferramentas mais poderosas para nos apoiar, quando preciso for...
Emocionante sua história,flor!
Desejo para vc e sua família, um caminho de luz e alegrias!
Obrigada pelo carinhoso recadinho lá no blog...
Ótimo final de semana!
bjs,Ana

eu, Lila Cassini disse...

Sem palavras... Estou contigo. DEUS é maravilhoso e seu filho esta em um lugar muito melhor. Vc é uma mulher linda! Estou chorando... beijos e um lindo final de semana.

Vanessa Maurer disse...

Marcia, que post mais maravilhoso!
Os filhos que Deus nos confio, são empréstimos do Pai, para que nós pais possamos auxiliá-los na evolução na seara do Mestre, assim como eles nos ajudam muito mais na progressão moral, do dever, do amor...
Muitos beijos
Van

Bel Rech disse...

Não consegui ler todo o post de uma vez, tive que parar para secar as lágrimas...A gente não tem como entender muita coisa nesta vida, principalmente perder algo que saiu de nós...Nem consigo administrar seu sofrimento, pois só vc sabe o quanto é sua perda.Mas tem muito amor aí para seguir nesta caminhada juntamente com aqueles que a amam e precisam de vc também....
Não é fácil passar por tantos blogues e cada um ter sua história de amor.
Paz e bem

Rê Furlan disse...

Márcia, obrigada pela visita no sítio... mas tô aqui com um nó na garganta depois de ler sua história! Parabéns pelo aniversário de casamento. bjo e ótima semana!

Fabi Teixeira disse...

Márcia, iluminada tua família, que permaneceu unida pelo amor. Que Deus abençõe cada um de vocês. Teu amor nos toca tão profundamente, impossível ler tua história sem ir as lágrimas, por ter escolhido continuar a viver, a amar.

Obrigada por compartilhar, um beijo grande e um abração beeem apertado.

Parabéns pelos 28 anos de casamento !